Amigoone


SOS PROTETORES
outubro 17, 2011, 1:48 am
Filed under: Por Klaine

Tem gente chegando de paraquedas na proteção animal.

Imagine um dia como qualquer outro, você sai de casa e depara-se com um cão atropelado. Você se espanta, chega próximo ao animal e constata que ele ainda está vivo, mas não sabe por quanto tempo por estar sangrando. Você não gostaria de ter visto aquilo já que sente pena de bicho machucado, mas tá ali, com nojo, agachado do lado de um cão que nunca viu. Percebe, então, que as pessoas que passam por você começam a te olhar com desprezo. Ao se dar conta disto, levanta e se distancia da vítima, não quer que ninguém saiba que você teve contato com um vira-lata pulguento. Mas e agora, o que fazer? Afinal, você tem sua vida, suas coisas para fazer e estava começando o seu dia antes de presenciar aquela cena. Você lembra, então, daquela sua conhecida que lhe fora apresentada por algum amigo em comum de vocês. Lembra que ela comentou sobre ajudar animais, que possuía alguns para adoção que recolhera das ruas. Taí, resolvido o problema: você liga para ela e fala do cachorro com o que você chama de naturalidade, afinal este é o único cão no mundo inteiro que está machucado e não está recebendo ajuda, o que é um absurdo. Depois de 5 chamadas no celular, você já está estressado, na 6° é atendido: você conta toda a história, recebe um “não”, xinga a pessoa e depois de insistir ela aceita socorrê-lo. Você continua seu dia tranquilamente. Pronto, fez sua boa ação do dia: salvou um cão.

Agora imagine a vida de outra pessoa: esta acorda cedo, limpa as fezes de pelo menos 20 animais – entre cães e gatos, adultos e filhotes, doentes e sadios, de raça e vira-latas – alimenta todos, faz um carinho em cada um e os chama pelo nome – ela trata eles como filhos. Preocupa-se ao perceber que a ração está acabando… e o dinheiro também. Um dos cães está bem doente. É um desses casos de espancamento que sai no jornal, comove todo mundo, mas ajudar mesmo são poucos os que fazem. Esta pessoa é agora sua protetora, afinal ele precisa de cuidados especiais. No momento em que está saíndo de casa para ir ao trabalho, o cão convulsiona. Ela volta para medicá-lo corretamente e chora, aflita por não suportar mais aquela situação sozinha. O telefone toca, está na bolsa e ela nem percebe. O cão se recupera. Os animais ficam agitados de repente – o telefone toca mais três vezes – ao sair no portão se depara com uma caixa de filhotes. Agora são 25. 24, um já está morto. O telefone volta a tocar mais algumas vezes e ela finalmente atende a ligação. A princípio não reconhece a voz, mas a pessoa se identifica citando seu amigo. Na confusão ela diz que lembra e pede para prosseguir. O tom de voz então muda e demonstra um certo desespero. Ela começa a contar o quanto o cão á sua frente está mal, o quanto ele reclama de dor, o quanto ele está machucado e finaliza descrevendo a sua carinha de dar dó. Implora para que o animal seja recolhido e devidamente tratado. A ajuda é negada, na justificativa de que já possui muito animais, há superlotação e não tem condições de cuidar de mais um; sugere que o leve para uma Clínica Veterinária. Logo após terminar a frase, ela é xingada pelo outro lado da linha: como que uma protetora dos animais pode negar ajuda à um animal ferido? Depois de muita insistência, ela aceita recolher o animal. Pronto, agora sim serão 25. E os gastos vêm em dobro dessa vez, já que terá de pagar o atendimento veterinário sozinha. O que fazer com tantos animais? Como conseguir ajuda? Pronto, seu dia acabou ali. Ou teria acabado se os animais não viessem ao seu encontro, após perceber que sua protetora estava chorando. Com a cabeça baixa ela, sentada no sofá remendado da sala derrama suas lágrimas – e enquanto se desespera e preocupa-se com o destino de todos aqueles animais – recebe uma lambida de um dos cães que entra por baixo de seus braços, lhe confortando e relembrando-a dos motivos pelos quais ela deveria levantar e continuar.

Entregar um problema para outra pessoa não significa que ele está resolvido. Quem gosta e cuida de animais abandonados não tem a obrigação de se responsabilizar por todos eles, muito menos de fazer o que você também é capaz e simplesmente não faz.

O mundo é composto por quatro tipos de pessoas:

As que criam problemas: abandonam.
As que não criam problemas, mas também não fazem parte das soluções: não abandonam, mas não adotam e nem ajudam.
As que fazem a sua parte: adotam ou ajudam.
E as que fazem a sua parte e a de outros: adotam, ajudam e lutam pela causa. Estas são chamadas de anjos terrestres, espécie rara.

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